22.9.09

Peripécias na privada

Ontem uma coisa inusitada aconteceu lá pelas bandas de casa. Há muito tempo estávamos pensando, e por vezes chegamos até a tentar, mas não havia jeito, o menino não atendia aos pedidos incessantes de seus pais que, cansados de gastar suas míseras moedas que tinham o destino literal de acabar na merda, tentavam fazê-lo sentar na privada e ali despejar suas necessidades.

Daí, numa conversa com a avó do menino - por acaso minha mãe -, ela supôs que tentássemos logo pela manhã, depois que ele acordasse e já tivesse feito a primeira refeição (condição sem a qual o intestino dele não funcionaria!). Foi o que fiz. Assim como faço toda a manhã, procedi como combinado, pus o guri na privada a ali fiquei conversando para ver se algo acontecia. O tempo passou e nada do número 2, então desisti. Mas num súbito, percebi que ele tinha se agachado na tentativa de começar a "deflagrar o ato delituoso", foi aí que dei um flagrante e ele correu de mim - não queria de jeito algum que eu invadisse sua intimidade. Mesmo assim não teve jeito, peguei-o no colo e o levei pro banheiro e ali fiquei até que ele finalmente.....

É, finalmente! Graças ao esforço árduo de sue pai ele fez pela primeira vez cocô na privada. Foi uma vitória! Agora travaremos a lutar de fazer o ato contínuo, diário. Talvez assim, quem sabe, possamos economizar as tais moedas já que precisamos de muitas todos os meses para aguentar a quantidade de material desperdiçado.

Fico por aqui, só queria registrar um momento único da vida de meu filho e da minha também. Ah, no final batemos palmas (parabenizando-o pelo feito), demos tchau pro marinheiro e ele mesmo puxou a descarga.
Quando cheguei em casa de noite tive que levá-lo umas tantas vezes ao banheiro sobre o pretexto de que ele faria o número 2. Ele me enganou é certo, mas são os ossos do ofício!

Primavera, 22 de setembro de 2009.


Mário Davi Barbosa

27.5.09

Ponto e Vígula

Peço ora para esclarecer
Questão que me deixou em intriga
D'um ponto que, confesso, muito me falha
E uma vírgula que causa fadiga

Por certo seria essa questão de gramático
Mas aceito opinião até de gente enxerida
Se no lugar do ponto descanso
Ou p'ra vírgula dou desconto
E encontro no ponto uma saída

Não sou muito de frase terminativa
Dizem que isso é lá coisa de latino abrasileirado
Que esquece do ponto e se esbalda em riscos
Que, de cima à baixo, obstam a ideia explicativa

Mas vamos lá pensar
Porquê chegar tão cedo ao ponto
Se dá p'ra prolongar
O prazer e só depois gozar
Nesse ponto que se insere o ponto, e a vírgula!


Cidade Torpe,

27 de maio, outono de 2009.


Ps: A produção acadêmica também tem dessas coisas. A intriga foi real e a vírgula mais ainda, muito mais do que o ponto final.

23.4.09

Problema...?

O que será esse tal questionamento
Qual o caminho a ser seguido
Por que rua
Em que direção
De que maneira

Questionamentos constantes
Como o badalar do cuco
Nos ouvidos e lembrar
Que o tempo é implacável

Mesmo assim, e apesar desse peso todo
Sinto algo como a brisa que refresca
Na verdade muito mais do que a brisa
Que se sobrepõe a cada questionamento acima
E aos outros que possam surgir

O sorriso do menino
O olhar amendoadamente esbugalhado
Correndo por entre as nossas pernas
Pedindo atenção
Exigindo carinho

Uma coisa é certa:
O amor de um pai pelo filho
À despeito de toda a turbulência dos tempos de então
Amor que mais uma vez me vem:
Incondicional

Outono de 2009 (23 de abril)

Mário Davi Barbosa

17.3.09

Nada

Não... nada
Nenhum, nenhuma
Nem, numa
Nesse, naquele
Naquilo, naquele outro
Ninguém


Nada
Nur... ninho
Nicho, não
Neste, noutro
Nisso
Nada... nada
Nada!
Nada...



Mário Barbosa
Verão de 2009

20.10.08

Passa


Tempo que é tempo passa,

Que pena que passa e não deixa vestígios do que era

Só imagem, só lembrança...

E que pena que a lembrança só fica na memória

Não volta, só esperança...

Pena que as coisas e pessoas mudam e quando mudam esquecem do tempo

Que passa, passa...


Tempo que é temp
o passa,

E quando passa devasta

Deixa só vestígios, só lembranças

E a lembrança mede força

Que passa...




Mário Davi Barbosa

Nostalgia... Primavera de 2008.

4.7.08

Incondicional

A minha obra mais perfeita, mais inacabada

Por isso constante e admirada

O meu fruto

Fruto do fruto proibido

Quando o delito foi menos vil e temido

Foi o cerne, o início

Transgressão surreal

E onde a virilidade se fez premente

O presente mais indecente que um dia recebi

Delicado, frágil e valente

Presente inconteste!

E o cuidado devido a cada momento

É amor que se dá e não se pede

Nada compra, nem se compara

À obra singular

Os momentos de uma vida que nasce a cada instante

E rebenta

Que é sempre novo e concreto

É sempre belo e constante

É tempo que não se perde, se ganha

Como uma construção

Que para ser tão bela a imponente

Precisa de tempo e dedicação

Tijolo com tijolo

Rabiscos mágicos

Desenhos ilógicos

Momentos inesquecíveis

9.5.08

Alma



















Não é mentira
Queria eu cantar... só
Feito um canário ao iniciar o dia





(...)





A vida passa feito um rio que leva ao mar
Feito a brisa que refresca

Irremediavelmente súbita
Feito um brilho no olhar...





Pequenos versos perdidos em esperanças lúdicas de se ver livre dos cárceres das almas,
do cárcere de minha vã alma desalmada

1.4.08

Simples

Surpreender-se!
Ter a possibilidade, a capacidade de surpreender
Surpresa
Eterna arte de fazer acontecer coisas que não se espera
Que não esperam

Surpreender-se
E fazer do novo um momento bobo
Porque a busca pelo infindável perfectível e surpreendente novo
Não é nada além do que a ilusão de achar que as coisas se resumem no seu resultado
E esquecer os meios, o andar e desandar

Surpreender-se
Achar graça em coisas simples
Na simplicidade de um sorriso maroto
Do desenvolver do garoto
Surpreender-se com o surpreender
Num momento em que tudo é tão previsível e palpável

Traçar um caminho com linhas simples e leves
E deixar que a vida se faça numa verdadeira estrada que guia e desvia
E encontrar-se nas lonjuras do interior de si mesmo

Cidade Torpe, 1 de abril de 2008

6.2.08

Medindo estradas

Não sei como eu ando
Ando caindo
Ando flutuando
De um lado a outro
E Deus me guiando

Não sei como eu ando
Medindo estradas
De norte a sul
Com fé no Senhor
Na força da caminhada

Como eu ando
Não sei
Só sei que vou
E deixo as linhas que formam as ruas
As casas que as acompanham
O céu, o mar...
A me levar no longo percurso

Não sei como eu ando
Ando caindo
Flutuando
E sigo o retorno a meu caminho
Na volta acíclica e confiante
Com fé e certeza
De que Deus vai guiando


Dedicado à Dona Maria, pelas voltas e voltas cidade afora.

Cidade Torpe, 4 de janeiro de 2008.

28.12.07

Revisitando-me (de volta para o passado)

Trata-se de uma apresentação de poemas publicados no blog "Tempestade e Idéias", mantido por mim e alguns amigos até o início desse ano ativamente, mas que, por causas que ninguém sabe, deixou de ser referência de expressão artística e cultural de cada um dos participantes. São poemas que escolhi na época publicar naquele sítio e não nesse, também me falha o motivo da escolha (talvez porque não tenha tido motivo algum). É como se fosse uma arrumação geral, e as roupas que sobraram estou distribuindo para quem quiser!
Enfim, deixo que os poemas falem por si mesmos e, por isso, continuo no hábito de não fazer comentários sobre cada um em específico.
ps: Saudações aos amigos que ajudam a me guiar nessa trajetória longa que é a vida!
Saudações!

Dias e sonhos











Dos meus dias, os passo pensando
Divido em turnos, horas, minutos, segundos
Passo seguindo sobre mundos e fundos
Dos meus dias não espero nada, continuo caminhando

Dos meus sonhos procuro fazê-los maiores que eu
Meus sonhos são grandes e viram a noite e rolam no chão
Os sonhos me guiam, me tiram do dia e me deixam em vão
Dos meus sonhos não falo, os tenho comigo à perdidos no breu

Dos dias não conto, deixo passar
Dos sonhos não espero muito... são devaneios
Dias contados, sonhos vividos sem fins ou meios

Dos sonhos não os tenho como certos
Os dias são tão certos, retos, corretos... para se contar
Sonhos vividos, dias contados de um sonho que, um dia, (quam sabe) virá


Postado em 06.09.06 (Tempestades e Idéias)

Conversa de um louco consigo mesmo

Talvez eu esteja ficando louco mesmo
Talvez eu sempre estive louco e nunca me percebi
Olha só tanta coisa ao meu redor
Coisa que nem sei dizer o porque
São coisas que vão muito além da minha loucura
Pois na minha sanidade elas não cabem

Acho que estou me tornando a cada dia um pouco mais louco
Um pouco mais perverso
Um pouco mais disperso
Daquilo que eu queria alcançar
Pois se tanta coisa já se passou
Como relembrar das coisas que ficaram pra trás
... Estou fincando meio louco!

Essa loucura... (pensando)... Não sei onde vai me levar
Se pra algum lugar ruim
Se pra um lugar longe ou perto daqui
Será que realmente eu vou sair daqui?
Não sei, não posso saber, sou um louco

Louco, maluco, neurótico
Mais prá lá do que prá cá
Já me disseram que eu era louco
Mas eu nunca levei muito à sério
Nunca dei muita bola mesmo

Que a loucura que eu sinto
Me distancia desse mundo
A loucura que eu sou
Me leva pra onde eu nem sei se vou


Escrito numa tarde pacata de agosto de 2006 (também postado em Tempestade e Idéias)

Para ver a Parte II dessa história:
http://euetilico.blogspot.com/2006/08/conversa-de-um-louco-consi_115488547417304364.html

Pão com ovo

Quem saiu primeiro
O ovo ou o povo?
O povo come o ovo
Ovo cozido
Ovo "estralado"... estrelado
Pão com ovo
Pão pro povo
Ovo cru
Ovo quente
Ovo pro pão
Pão com ovo, de novo
Ovo no bolo
Ovo do bolinho de arroz
Ovo na cabeça
Do ladrão








(...)



Quem saiu primeiro
O povo ou o ovo?
O ovo na boca do povo
Povo quieto
Povo mexido
Pão com povo
Pão pro povo
Povo nu
Povo quente
Povo no chão
Pão pro povo, de novo
Povo sem bolo, nem fatia
Povo sem cabeça
Povo pro voto
Povo pro ladrão



Poema postado em 03.10.06 em Tempestades e Idéias (hoje um pouco inativo)

5.12.07

O morro não tem vez

"Se não fosse o samba quem sabe hoje em dia eu seria do bicho"

Hoje assisti a um documentário chamado "Coruja", que fala um pouco da trajetória de Bezerra da Silva, me interessei pela coisa e apresento a quem queira ver e conhecer um pouco da cultura brasileira (periférica).
Espero que agrade.

http://www.portacurtas.com.br/pop_160.asp?cod=344&Exib=1

Desfazendo a mesa

Assim como num livro de Jorge Amado quero desfazer a mesa e comer a comida mais carnívora e carnal, sugar do suco mais fresco e delirar gritando devaneios e suspirando volúpias. Pensar que a mesa pode (e deve!) ser usada pra comer comidas mais saborosas e necessárias e que ela mesma (a mesa) pode ser um espaço de dessacralização, isso porque - diga-se - a mesa é considerada como um lugar "sagrado". Não saberia explicar o que seria esse "sagrado", mas enfim, é isso mesmo!
Pensando assim, me vem a questão da dualidade da mesa, ou seria a dualidade das características construídas sobre (dual?) a mesa, lembrando que as coisas não são porque são, ou melhor, que o conceito das coisas é um construído por nós reles humanos. Logo o construído pode-se desconstruir ou, simplesmente, construído um novo sem eliminação do primeiro e assim por diante. Só pra terminar esse pensamento: não é mesa que é "sagrada" em si, mas nós que construímos essa sacralidade da mesa. Portanto me proponho a re(des)construir a mesa, ou seria a utilidade dela, o conceito...
Chega de chorumelas: Prefiro a mesa desfeita!