
A noite estava meio chata, um tanto pacata, faltava algo, não se sabia o que faltava.
Tudo o que se dizia não era o bastante. Era preciso um algo que fizesse sair do mais distante inconsciente um pensamento que valesse a pena, um pensamento que não fosse apenas pensamento, mas um resquício de loucura.
Eu procurava, não sabia o que procurava, talvez fosse impossível saber a resposta para aquela pergunta vã, extraída dum corpo vão, que nem se sabia o que fazia - ali, naquela noite. O bar estava cheio, muita gente falando, vozes alteradas, gritos, risadas, enfim, a concorrência de sons era típica. Eu havia chegado e ainda não sabia o que fazia ali, o que me trouxera àquele lugar. De repente avistei o garçom e, num súbito, pedi-lhe uma cerveja pra me fazer companhia e me devolver a alma...
... A cada gole um pedaço se recompunha, uma parte de minh'alma ficava mais claro, o que eu procurava já não fazia mais sentido, não tinha porque procurar. As coisas ali aconteciam e pronto, não precisavam de procura, de busca, era um constante acontecer, um constante surgir sem necessidade daquele inconstante devir.
O Eu já sabia o que era, ele sabia o que estava fazendo ali. Esse Eu que me fez etílico, Eu que se embriaga, se embriaga com um objetivo, com uma causa, se embriaga com uma conquista, com uma derrota. Eu que se embriaga, porque sabe buscar nas mais diversas coisas o gosto bom, como o da cerveja gelada, sabe tirar da vida o etílico que dá mais clareza, mais leveza, loucura...
- Garçom! Mais uma cerveja!
1 comentários:
A cada gole você fica mais sã ou louco? não nei, só sei que a sua barriguinha vai crescendo visivelmente em cada gole de etílico...hehehehehehe.....É, ser louco, que as vezes se mostra sã sem ao menos saber que não está realmente, a vida é louca, não se martiriza de forma alguma , nunca, por ser louco, todos nós somos loucos educados, loucos alienados, loucos comendados. Gostei louco da sua loucura, "Conversa de um louco consigo mesmo - parte 2"
beijos
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