19.12.06

Inferno tropical















E esse calor que me agonia
Calor de primavera
De final de dezembro
Calor melancolia

Esse ar quente que o vento não consegue ventilar
Ar de forno, do inferno tropical
Esse ar abafado que sua meu corpo
Que não me deixa cochilar
Depois do almoço
Após o jantar


Esse calor que o ano todo vivemos pedindo
Calor que deixa os hormônios à flor da pele
Que qualquer homem fica louco
Ao ver a beleza que passa na praia
Quase nua, seminua
Nua... à sós, no calor de matar

Calor que move o corpo
Calor que mexe com a cabeça
Calor que deixa sem jeito
Sem roupa
Descalço
Na praia
Sem nada
Cerveja, bom papo

Calor que queima o corpo
Calor que transparece
Enlouquece
Esse calor que move

Esse calor que me incomoda e acomoda
Calor fúria... da natureza
Calor tufão, furacão, vulcão... erupção
Esse calor que deixa meus lábios vermelhos
Que molha minha boca
Que me faz pensar em sexo...

8.12.06

Escravo do tempo

Num súbito, percebo que o tempo não passa, que não há tempo que caiba num segundo, não há tempo algum que me faça compreender todas as sandices deste mundo, não há tempo! Há apenas uma abstração, uma intenção que nos prende, que nos sela, há uma louca vontade de se sentir mais seguro numa coisa que se criou como condição e que desprendeu-se e condicionou... condiciona...
Eu estou farto dessa sensação de tempo, estou farto dessa vigilância diária, horária, minutária, secundária. Cansado dessa auto-vigilância, auto-flagelo temporal, dessa atemporalidade encarada como normal. Cansado, porque sei que as algemas do tempo tendem a aprisionar cada vez mais, porque as utopias do não tempo, desligamento vão se perdendo com os passar dos anos. Tá vendo só a armadilha? Anos, semestres, trimestres, bimestres, meses, semanas...
Num súbito eu me desprendo, desligo o relógio, aliás, se tem um coisa que eu detesto é um relógio em minha frente, a me olhar e dizer quanto ainda do maldito tempo me resta. Me desprendo em pensamentos que me levam prum mundo distante, mundo sublime, onde as tantas insanidades que já pensei são realidade, onde as loucuras faladas, feitas em planos, se tornam concretas, assim como um arquiteto que desenha uma casa, assim como um engenheiro que a executa, fora do tempo, sem prazos de entrega, sem pressa do dia que finda.
Eu proponho que se faça a abolição do tempo, que libertem os escravos do relógios que vigiam, dos atrazos que punem, que libertem os escravos do tempo, assim como eu que não posso me libertar, mas que preciso...

6.12.06

Presentão de aniversário...

De todos os presentes que eu imaginei
Todas as surpresas esperadas
Tudo que me fizeram na vida
Eu nunca pensei que ganharia um presente desses
Uma encomenda pra toda a vida
Presentão pra nunca mais esquecer...
E olha que eu me esqueço de muita coisa!

Meu deus! Quanto tempo eu não exclamava assim pra mim mesmo?
Quanto tempo eu não me assustava?
E agora assim... de repente
Neste momento que nem sei dizer se é bom ou ruim
Não parei nem pra analizar a minha vida... análises de conjuntura
Mas sei que "daqui pra frente tudo vai ser diferente"... e como!

Menino? Menina? E aí?
Não sei, mas sei que quem vier será muito bem vindo
Muito bem vindo!
Com muito mais amor do que eu já pensei em toda a minha vida

Já não existe mais o EU...
Agora somos NÓS...
Pra toda a minha vida!!!!







(Mário Davi Barbosa... Agora muito mais responsável!)

Dedicado ao baby que tá vindo por aí e à sua mãezinha... presentão de aniversário...