10.6.07

Melancolia


Quem sabe a luz dia me traga o súbito prazer de quem encontra uma saída
Quem sabe o samba revolucione a nova música brasileira
Quem sabe a velha bossa
Ao som de Chico ou Caetano
Talvez um quê de poesia

Quem sabe a fumaça que sai do café na manhã nascente
E o pó desperdiçado no ralo da pia
Quisá a cerveja no boteco do Tio Zé
Quem sabe o sol do meio dia
Talvez a agonia do vapor que sobe do asfalto quente
Talvez melancolia

Quem sabe uma nota qualquer tocada num refrão
Quem sabe o vão que separa a parede da bacia
Quem sabe o não
Talvez alegria
Quem sabe a luz do abajur me ajude a enxergar
Quem sabe o despertar
Quisá a poesia

E o samba escondido nos botecos
Na boca dos bêbados e malandros
O samba escondido nas favelas
Quem sabe o samba, filho do batuque revolucionário
Talvez o samba, a poesia


Cidade Torpe, 9 de junho de 2007
"Samba" (óleo sobre tela - 1928) de Di Cavalcante

4 comentários:

Gabriela Jacinto disse...

Como estamos sr. poeta...muito criantivo e novo, uma mistura de poesia e samba, parabéns...beijos.


obs: etou sem inspiração, estou meio apática, não consigo escrever mais, mas amei seu poema ritmado...beijos

beijos

beijos

maika disse...

Olá Rapaz!
Como andas, em meio a esse mar de mediocridade?
E a família?

Acho q não rpeciso dizer novamente q gosto do que escreves... né?

Abraços

De um nada para o nada! disse...

quem sabe né?
pior para aqueles que não sabem!
esse quadro me lembra um cd chamado samba pra burro...e essa poesia me lembra uma lembrança que acabo de lembrar mas esqueci.
belo poema com rima...vamos musicá-lo?
quem sabe também o revolucionário,criativo e audacioso tropicalismo...que sabe nossos poetas pretos e brancos...quem sabe patativa...quem sabe lambe sola...quem sabe luis gonzaga...quem sabe cego aderaldo...quem sabe,pois é quem sabe!
belo.

Anna Oliveira disse...

Ah! Estréio então os meus comentários em seu blog!
Talvez a falta de vontade não permitiu que nele antes entrasse e reservasse um tempo para a escrita dessas linhas danosas.
Ao que me parece somos todos poetas!
Ao que me parece já nos vimos antes em poetas!
Oh! Ainda bem que existe a "fútil" internet, onde nela podemos colocar nossas escritas [in]pensadas.
Ao que me parece temos aqui um bom poeta, e como precisavamos de um assim, um poeta do samba, ou pelo menos aquele que escreve dele com total confiança.
Felicito-o meu caro, continue compondo!!!