19.5.07

Garranchos de sorrisos, retalhos de felicidade


Alegria pra me refazer
Juntar o que fica pelo caminho
Alegria de ao menos pertencer
Pegar o que se junta e fazer um ninho

Sorriso aberto
Meio de lado
Pode ser inteiro
Só não dá pra ser fechado
Sorriso desdentado
Mas sorriso
Alegre, desprendido
Sorriso

A felicidade depende de coisas simples:
Companheiro (a)
Filho (a)
Um lar
Um beijo na boca que enlouquece (pode ser na bochecha)
Um olhar que pede mais
Um sorriso
Abraço
Palavra fala, escrita, gesticulada
Palavra amiga
Acordar com cheiro de café
Com um bom dia
Felicidade é saber ser feliz
Saber colher, cuidar
Dar e plantar flores
Felicidade é andar de mãos dadas

Bom é comer a comida da mãe
O bolo de chocolate
Bom é ter alguém pra conversar
Pra falar das coisas mais íntimas e mais simples
Bom é ter alguém
Bom é ser feliz com o que se tem
Ter sonhos e utopias
Lutar pelos sonhos
Pintar utopias
Bom é a vida que corre por entre os garranchos escritos....

13.5.07

Vermelho












Pulsa o sangue frio nas veias tortas
Corre o rio em direção oposta à nascente
Anda o menino de trás pra frente
Com passos firmes levantando folhas mortas

Corta a carne num corte profundo, intenso
E cospe mágoas e tosse resquícios de dores
Descobre ninhos, destrói os ninhos
No lugar deixa em pilhas monte de horrores

Cobra cega, não sabe aonde vai
Vai errante à procura de terra pra plantar sua semente
Suga tudo o que pode e deixa a terra minguante
E o olhar da bela fascinante não vê, se distrai

Corre, corre sangue gelado
Nas veias frias, quase entupidas
Corre o sangue frio em direção ao infinito
Não sabe aonde vai, mas corre o sangue maldito

Escorre por entre a ferida aberta
Pela mão do destino
Cai no chão sangue maldito
Estanca o sangue nos olhos meninos

O rio não desce, sobe
Retorna o caminho e nega sua trajetória
Nega seu ser, seu correr
Que retorna contra a nascente que desce

Mas haverá mesmo o rio
Haverá mesmo o sangue que jorra
E espalha por todos seu medo
Deixando o clima sombrio

Haverá mesmo dor
Nas veias de mágoas
E no rio que estanca com o horror
Do sangue que se espalha


Cidade Torpe, maio de 2007