10.6.07

Melancolia


Quem sabe a luz dia me traga o súbito prazer de quem encontra uma saída
Quem sabe o samba revolucione a nova música brasileira
Quem sabe a velha bossa
Ao som de Chico ou Caetano
Talvez um quê de poesia

Quem sabe a fumaça que sai do café na manhã nascente
E o pó desperdiçado no ralo da pia
Quisá a cerveja no boteco do Tio Zé
Quem sabe o sol do meio dia
Talvez a agonia do vapor que sobe do asfalto quente
Talvez melancolia

Quem sabe uma nota qualquer tocada num refrão
Quem sabe o vão que separa a parede da bacia
Quem sabe o não
Talvez alegria
Quem sabe a luz do abajur me ajude a enxergar
Quem sabe o despertar
Quisá a poesia

E o samba escondido nos botecos
Na boca dos bêbados e malandros
O samba escondido nas favelas
Quem sabe o samba, filho do batuque revolucionário
Talvez o samba, a poesia


Cidade Torpe, 9 de junho de 2007
"Samba" (óleo sobre tela - 1928) de Di Cavalcante