Pouco de muito
Demasiadamente nada
Explicitando imperfeições
Defecções que complementam
Um vai e vem de emoções
Maliciosamente sentidas
E um ‘porque’ que não vem
[Deriva...]
Ora, se não sei nem ao certo
O que faz de mim pensante
Porque se não chego a algum lugar
Fico a vagar, observando
Tal qual um infante
Que não vê em si um horizonte
Mas mesmo assim, se o visse
É deveras distante
Difícil verbalizar o tão incognoscível
E inconfundível clarão do nada
Nem mesmo o dejá’vu
Muito mais a perplexão
Do devir insensível
[Quisá a ventura...]
Tamanha ebulição
Idéias pululando da mente pra fora
E transformando o mundo
Das coisas que outrora
Se mostravam tão corretas
Indefectíveis rompimentos
Que se fazem
Desfazendo paradigmas
De solidez incomensurável
Vão-se antigas marcas e estigmas
[Atônito...]
Resta o nada em sua completude
Desvelando a volta cíclica
Que teima em não findar
Num eterno retorno
Pro nada esbaldante
Que agoniza o vindouro triste e sonolento
Atirado pelo mar
Após a tempestade
Após a calmaria
Quando então a claridade
Fez do vento seu mensageiro
Da leve brisa inspirada num misto de medo e certeza
Cercados pela ilusão do concreto
Que o nada faz desmoronar
[Realidade...]
Se então o nada é o fim inexorável
Por que fingimos buscar por algo
Tão distante e perecível...