27.5.09

Ponto e Vígula

Peço ora para esclarecer
Questão que me deixou em intriga
D'um ponto que, confesso, muito me falha
E uma vírgula que causa fadiga

Por certo seria essa questão de gramático
Mas aceito opinião até de gente enxerida
Se no lugar do ponto descanso
Ou p'ra vírgula dou desconto
E encontro no ponto uma saída

Não sou muito de frase terminativa
Dizem que isso é lá coisa de latino abrasileirado
Que esquece do ponto e se esbalda em riscos
Que, de cima à baixo, obstam a ideia explicativa

Mas vamos lá pensar
Porquê chegar tão cedo ao ponto
Se dá p'ra prolongar
O prazer e só depois gozar
Nesse ponto que se insere o ponto, e a vírgula!


Cidade Torpe,

27 de maio, outono de 2009.


Ps: A produção acadêmica também tem dessas coisas. A intriga foi real e a vírgula mais ainda, muito mais do que o ponto final.

1 comentários:

Bruno Eduardo Budal Lobo disse...

O que seria de um ponto, sem uma vírgula para recuperar um fôlego que aguarda seu momento de liberdade?

O que seria uma gramática sem as regras, bases, rabiscos e "rebuscus"?

O que seria um bom poema sem uma mente que o estruture e um coração que o guie?

O que seria uma vida sem eiras, beiras ou tribeiras?

Ou será que contamos o tempo e queremos uma liberdade insonsa?

Hmm...é de se pensar...
hehehehehe...

Não sabia que tinhas um blog, interessante.

Abraços, bons poemas, boas criações e ótimas perspectivas!