Depois de ter terminado meu TCC, já o ter depositado, de estarmos passando por denúncias de torturas em nosso sistema prisional que, aliás, era apontado como exemplo; depois da constatação de que a violência urbana está banalizada e que os meios de comunicação são os maiores responsáveis por isso; depois do apagão, de ter me dado a permissão de assistir aos jornais matinais e aos "comentários maravilhosos" da Ana Mª Braga, depois disso tudo, do cansaço, da angústia, da dor de cabeça incessável, das tonturas, depois.... e depois?
Essa é uma questão que geralmente não deve matutar só a minha cabeça. Quem nunca perguntou: e depois, o que você tem a dizer, qual a saída, que caminho? E se fosse com um filho seu, sua(eu) mulher(marido), com um familiar, pensaria do mesmo jeito, falaria (blasfemaria) a mesma coisa?
Pois bem meus caros colegas, amigos(as), o problema - ou os problemas -é complexo, assim como as suas causas e consequências, e não poderia a resposta resumir-se num simples "e se fosse?". Não dá para tratarmos dessas questões com propostas e soluções levianas, prontas, curtas, acabadas, simples. É o que todos fazem. Quem não se alegra quando um Prates profere seu discurso barato, ou quando um Jabor, ou mesmo um Hélio, um Datena transmitem suas idéias tão mirabolantes de tão velhas? É bom ouvir isso, é mais fácil, mais rentável, palpável, inteligível. O difícil é justamente mexer na sujeira, entrar nas "malhas do sistema", meter a mão mesmo, vasculhar (e olha que nem precisa muito!), ter disposição para aguentar a tranqueira que são esses medíocres problemas diários aos quais todos estamos vinculados - bem ou mal.
A Gabriela vive sempre brincando comigo - ela gosta de imitar as pessoas! - se fazendo passar pela Vera Andrade (o bom de tudo dessa brincadeiras é o sotaque riograndense que faz o tom do "espetáculo" à parte). A frase a Vera que ela mais gosta de imitar se resume na afirmação "A criminologia hoje é o caminho da não violência!". Mas vamos lá - fora as imitações que são únicas -, de verdade, eu não consigo mais ver outro caminho para a questão criminal moderna como o tal caminho da não violência ( e nisso o Thiago Frabres tem também o sua culpa!).
E é assim que vislumbro esse "depois": a NÃO VIOLÊNCIA, com muita risada, longe das vitimas e algozes que a discussão penal tende sempre a ressuscitar.
Descanso e saúde a todos os militantes encarcerados.
11 de novembro, Primavera de 2009.
Mário Barbosa.