O Eu etílico que se embriaga por um pensamento

22.4.10

À Raul



Não vou te dizer o que espero do mundo
Não vou te dizer que a vida é feita de mil maravilhas
Não preciso dizer isso, tu bem sabes do que estou falando
Não vou te dizer que estamos num poço sem fundo


Não quero fingir que tudo andas como sempre se imaginou -
Não sou hipócrita, nem muito menos pretendo sê-lo -
Não vou ficar dizendo palavras de consolo
Não vou jogar fora o futuro que ninguém alcançou


É amigo. Não direi a você que tenho a saída -
Nem sei ao menos as da minha vida! -
O que tenho pra oferecer é pouco
Não tenho fortunas, por vezes paro e concluo que sou louco


Amigo, entendo o tamanho de sua dor
Compreendo a largura de sua angústia
Não posso sentir, mas entendê-lo eu sei
A angústia da alma é a falta de amor


Onde encontrar, ou procurar
Você pode saber as armas com que lutar?
A procura, grande procura que fazemos
Nos leva pr'um mundo que desconhecemos


Não quero guiar
Não sou um bom guia
Posso ficar, contigo caminhar
Acho que posso ser uma boa companhia


Ilha de Santa Catarina, 19 de outrubro de 2006
Publicado originalmente no blog Tempestades e Idéias (/http:www.tempestadeseideias.blogspot.com/)

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