O Eu etílico que se embriaga por um pensamento

6.4.10

Solene

Estava lá, na espera de um ato
Verso forte, frase impactante
Era uma necessidade
de um acontecimento,
uma espera


Estava lá
E talvez o que mais importava
Era a própria espera
Ensimesmada
Intensa


Mas toda espera tem
no seu fim
um recomeço


Continuava lá
Sem saber o que
fazer com aquela sensação
Um vazio... falta
do que esperar
Porque passou a não viver mais
o que esperava
Fitava era o acontecimento
a possibilidade
virtual
de chegar o esperado


Difícil...
era um homem
chegado à cumprimentos
“boas-vindas” e “fique-à-vontade”
Mas ficava sem saber
Como agir
Como sentar, comer
Beber, o que falar


Então não falava
Não sentava, nem agia
Simplesmente punha-se
A planejar outra espera
Que substituísse a falta
Da sensação inexplicável
De inércia e medo
De viver a própria vida




Mario Davi Barbosa




Ilha de Sta. Catarina
Outono
4/4/2010

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