O Eu etílico que se embriaga por um pensamento

25.11.10

Imaginário

Eu sempre tentei estabelecer um plano imaginário onde todas as coisas, todos os acontecimentos de minha vida estivessem traçados. O grande problema desse plano foi ser sempre – e simplesmente - imaginário. Nem sempre tudo o que se imagina pode caber no plano do real, dos fatos, das coisas palpáveis e concretas. Aliás, esse foi sempre um dos grandes problemas de minha rela “vidinha”: não conseguir lidar com o plano do real, com a concretização do imaginário.

Essa foi uma pretensão que até hoje não consegui decifrar, nem me desvinvilhar. A pretensão de ter tudo tão bem planejado e senhado – tão sonhado! -, ao ponto de os mínimos detalhes estarem contidos no meu mundo platônico.

... Engraçado. Apesar de tão pensadas, todas essas “coisas” não têm, para mim, uma pretensão tão séria de acontecer. Mas nem por isso as deixo de pensar, imaginar, desejar. E quando o imaginado acontece, se realiza, é sempre uma supresa, é sempre um susto ao notar como uma idéia pode chegar tão longe, como uma idéia tão pensada pode se tornar fato. E, de fato, acho que sou o resultado de um emaranhado de idéias (minhas e dos outros) que de tão bem pensadas, aconteceram.

Não estou querendo dizer que esse resultado seja em si bom, estou querendo dizer que sou um sesultado – bom ou ruim.

Mas confesso, essa coisa de ser, ou de ter que ser, o resultado do pensamento dos outros (também dos meus?) é complicada. Me pego preso a um determinismo e não consigo ne distanciar disso: tudo já estava previsto e bem pensado, dou apenas o resultado do óbvio, do já sabido! E quando o óbvio deixa de ser tão obviamente óbvio? Quando o certo, o imaginado deixa de ser o que deveria ser? Aí reside outro problema também muito sério e duro. Daí a minha ângústia de hoje. Não que eu deveria – nesse caso não! -, o fato é que quebrei um ciclo do qual eu mesmo sou um propulsor. Quebrei o ciclo daquele acontecer o que se imaginara, talvez porque esse foi uma das poucas vezes que eu tenha realmente desejado que o sonhado fosse real. É. Pela primeira vez não seria tão surpresa assim, seria a concretização de uma batalha que foi real, concreta e que, infelizmente, não pode se concretizar.

Ilha de Sta. Catarina, 17 de maio de 2010.


P.S.: a batalha se concretizou e continua...

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