O Eu etílico que se embriaga por um pensamento

18.8.11

Monte Serrat, em Florianópolis, receberá próxima edição do Projeto DPU na Comunidade

A região do Monte Serrat, no Centro de Florianópolis, terá em 16 de setembro um dia de orientação e assistência jurídica gratuitas com o Projeto DPU na Comunidade, da Defensoria Pública da União em Santa Catarina. As atividades vão das 9h às 17h, no Espaço Cultural João Ferreira de Souza, em parceria com o Centro Cultural Escrava Anastácia.

Pela manhã, defensores públicos federais proferem palestras explicando a atuação da DPU em temas previdenciários, de saúde, penais e direitos fundamentais. À tarde, a equipe presta assistência jurídica integral e gratuita, com atendimento jurídico ao segmento da população que desconhece muitos dos seus direitos, divulgando a instituição e seus serviços.

Além do Monte Serrat, estão convidadas as comunidades do entorno, como Nova Descoberta, Alto da Caieira, José Boiteux, Tico-tico e Quebra-Pote.

O projeto DPU na Comunidade busca promover a difusão e a conscientização dos direitos humanos, da cidadania e do ordenamento jurídico a famílias de baixa renda, para que consigam exercer plenamente a cidadania.


http://www.dpu.gov.br/
dpusc.wordpress.com / @dpusc

16.8.11

NãO pare...



Por Camila Prando

....o moderno reacionário é a porta de entrada do velho fascismo....

 O rebaixamento do debate, a política virulenta, a banalização da violência e a criação de párias são o ovo de serpente do fascismo




Se você não entendeu a piada de Rafinha Bastos afirmando que para a mulher feia o estupro é uma benção, tranquilize-se.

O teólogo Luiz Felipe Pondé acaba de fornecer uma explicação recheada da mais alta filosofia: a mulher enruga como um pêssego seco se não encontra a tempo um homem capaz de tratá-la como objeto.

Se você também considerou a deputada-missionária-ex-atriz Myriam Rios obscurantista ao ouvi-la falando sobre homossexualidade e pedofilia, o que dizer do ilustrado João Pereira Coutinho que comparou a amamentação em público com o ato de defecar ou masturbar-se à vista de todos?

Nas bancas ou nas melhores casas do ramo, neo-machistas intelectuais estão aí para nos advertir que os direitos humanos nada mais são do que o triunfo do obtuso, a igualdade é uma balela do enfadonho politicamente correto e não há futuro digno fora da liberdade de cada um de expressar a seu modo, o mais profundo desrespeito ao próximo.

O moderno reacionário é um subproduto do alargamento da cidadania. São quixotes sem utopias, denunciando a patrulha de quem se atreve a contestar seu suposto direito líquido e certo a propagar um bom e velho preconceito.

Pondé já havia expressado a angústia de uma classe média ressentida, ao afirmar o asco pelos aeroportos-rodoviárias, repletos de gente diferenciada. Também dera razão em suas tortuosas linhas à xenofobia europeia.

De modo que dizer que as mulheres - e só elas - precisam se sentir objeto, para não se tornarem lésbicas, nem devia chamar nossa atenção.

Mas chamar a atenção é justamente o mote dos ditos vanguardistas. Detonar o humanismo sem meias palavras e mandar a conta do atraso para aqueles que ainda não os alcançaram.

No eufemismo de seus entusiasmados editores, enfim, tirar o leitor da zona de conforto.

É o que de melhor fazem, por exemplo, os colunistas do insulto, que recheiam as páginas das revistas de variedades, com competições semanais de ofensas.

O presidente é uma anta, passeatas são antros de maconheiros e vagabundos, criminosos defensores de ideais esquerdizóides anacrônicos e outros tantos palavrões de ordem que fariam os retrógrados do Tea Party corarem de constrangimento.

Não é à toa que uma obscura figura política como Jair Bolsonaro foi trazida agora de volta à tona, estimulando racismo e homofobia como direitos naturais da tradicional família brasileira.

E na mesma toada, políticos de conhecida reputação republicana sucumbiram à instrumentalização do debate religioso, mandando às favas o estado laico e abrindo a caixa de Pandora da intolerância, que vem se espalhando como um rastilho de pólvora. A Idade Média, revisitada, agradece.

Com a agressividade típica de quem é dono da liberdade absoluta, e o descompromisso com valores éticos que consagra o "intelectual sem amarras", o cântico dos novos conservadores pode parecer sedutor.

Um bad-boy destemido, um lacerdista animador de polêmicas, um livre-destruidor do senso comum.

Nós já sabemos onde isto vai dar.

O rebaixamento do debate, a política virulenta que se espelha no aniquilamento do outro, a banalização da violência e a criação de párias expelidos da tutela da dignidade humana.

O reacionário moderno é apenas o ovo da serpente de um fascismo pra lá de ultrapassado.
 
Este texto é de autoria de Marcelo Semer, juiz de direito paulista. O conheci através do blog do Alexandre e gostei muito de seus escritos no blog Sem Juízo (http://blog-sem-juizo.blogspot.com/).